As plantas aromáticas como o Alecrim, o Alho, a Canela, o Coentro, o Eucalipto, Hortelã-Pimenta, a Laranja, o Limão, o Tomilho, entre tantas outras, caracterizam-se por possuirem estruturas especializadas contendo óleos essenciais.  Estes compostos voláteis, encontram-se em orgãos secretores mais ou menos diferenciados em diversas partes das plantas, por exemplo o óleo essencial de hortelã-pimenta encontra-se nas folhas, o de gengibre na  raiz, o de rosa nas flores, o de mirra na resina, e.t.c..

As plantas desenvolveram os seus óleos essenciais ao longo de milhões de anos, de acordo com as necessidades do meio ambiente em que vivem, por exemplo numa época de maior calor, a planta pode aumentar a produção de óleos essenciais para evitar a sua desidratação. Podem actuar como reguladores e catalisadores de metabolismo, meios de comunicação entre as próprias plantas, proteção contra parasitas, insetos, herbívoros e outras ameaças, atração de polinizadores, proteção contra alterações climáticas, e.t.c..

Como se podem usar os óleos essenciais?

Apesar de muitos acreditarem que só os podemos inalar, existem várias formas de utilizar os óleos essenciais e aproveitar os seus benefícios. A forma de utilização varia de acordo com o objetivo terapêutico, o óleo essencial em causa e as especificidades de quem é tratado.

As principais formas de utilizar os óleos em aromaterapia são:

1. Uso tópico: a aplicação tópica é o processo de colocar o óleo essencial puro ou diluído em contato com a pele e ou mucosas. Por exemplo no acne, furúnculos e abscessos, pode utilizar de 1-3 gotas do óleo essencial de árvore de chá (Malaleuca alternifolia) puro no local. Para produzir efeitos de relaxamento, ajudar no sono, aliviar o stress pode utilizar de 3-6 gotas de óleo essencial de Lavanda (Lavandula angustifolia) cada um dos pés. Em picadas de insectos pode aplicar óleo de Hortelã-Pimenta (Mentha x piperita). A zona atrás das orelhas, os pulsos e os pés são zonas de boa absorção dos óleos.

Tenha em atenção:

  • Existem óleos essenciais que são dermocáusticos como o caso do Orégano (Origanum vulgare), o Tomilho (Thymus vulgaris) e a Canela (Cinnamomum cassia / Cinnamomum zeylanicum) que quando aplicados puros na pele podem lesá-la, estes óleos quando aplicados devem estar diluídos.
  • Os óleos essenciais são extremamente concentrados e poderosos, o uso contínuo não diluído de óleos essenciais pode provocar igualmente sensibilização na pele, é recomendado diluí-los em óleos vegetais, como por exemplo, óleo de coco, amêndoas doces, avelã, jojoba, rosa mosqueta, entre outros.
  • Alguns óleos são fototóxicos, podem gerar queimaduras e manchas se a pele for exposta ao sol após a sua aplicação. Os óleos essenciais fototóxicos mais comuns são: Laranja, Limão, Tangerina, Bergamota e Arruda. Porém, algumas empresas produzem estes óleos essenciais livres de furanocumarinas (LFC) responsáveis pela fototoxidade.

2. Inalação: É um meio poderoso para tratar emoções uma vez que o olfacto comunica com o sistema límbico, o centro das emoções. A absorção dos aromas actua directamente nesse centro. Através da inalação conseguimos tratar também desordens respiratórias como sinusite, rinite, bronquite, congestão nasal. Óleos como Eucalipto globulus, Hortelâ-Pimenta, Árvore de chá, são muito utilizados.

A maneira mais simples e eficiente de difundir óleos essenciais no ambiente é com a ajuda de difusores. Difusores de aromas a frio são utilizados para dispersar os óleos essenciais no ambiente de forma que as suas moléculas permanecem intactas no ambiente. Dessa forma, são capazes de purificar e melhorar a qualidade do ar.  Existem modelos de difusores que utilizam água, outros não, pode escolher o que se adapta melhor ao seu caso. Difusores a calor,  não recomendo porque a temperatura pode alterar a composição química dos óleos essenciais e eliminar as suas qualidades terapêuticas. Tenha cuidado com o excesso de estimulação olfativa, é recomendado criar intervalos sem cheiros.

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A inalação direta é a maneira mais simples de usar óleos essenciais, simplesmente segure no frasco de óleo essencial próximo ao nariz ou pingue de 1-3 gotas nas palmas das mãos e as aproxime a 15 cm do nariz. Existem outras técnicas que abordarei noutros artigos.

3. Uso interno O uso interno é o processo de ingerir ou internalizar um óleo essencial no corpo. Somente ingira óleos essenciais 100% puros, e tenha em atenção que existem empresas que infelizmente comercializam óleos adulterados ou falsificados, o que significa que adicionam solventes aos óleos essenciais. Existem doses de referência que abordarei mais tarde.

3.1 A via sublingual pode ser uma opção, quando se pretende que os óleos entrem rapidamente na corrente sanguínea, colocando de 1-3 gotas de óleo essencial debaixo da língua. como as mucosas situadas nessa região são altamente vascularizadas, esta forma de uso promove um efeito terapêutico ainda maior do que a ingestão direta do óleo essencial, e por isso doses menores devem ser usadas para evitar irritação do tecido.

3.2 Ingestão directa, uma forma fácil de ingerir óleos essenciais, é pingar de 1-3 gotas em uma colher de mel, agave, ou óleo vegetal e ingerir após refeições. Cuidado com os óleos essenciais dermocáusticos como o Orégano, o Tomilho e a Canela.

3.3 Cápsulas, colocar as gotas de óleo essencial numa cápsula vazia, fechando e tomando com um pouco de água ou sumo. Pode completar o restante da cápsula com algum óleo vegetal extra-virgem.

3.4 Culinária: Pode adicionar 1-2 gotas de óleo essencial em sumos. Lembre-se de agitar bem antes de ingerir, o resultado é delicioso, por exemplo adicione 1 gota de óleo essencial de Hortelã para 1 litro de sumo natural de abacaxi. Adicione 3-5 gotas de óleo essencial (limão, manjerição, oregão) para 100mL de Azeite de Oliva extra-virgem para temperar saladas. Aromatizar seu molho pesto com uma gota de óleo essencial de gengibre e limão para cada 500g de molho. O resultado é surpreendente!

Existem outras formas de uso interno que falarei mais tarde!

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No artigo anterior abordámos um pouco da história da aromaterapia.

Se pesquisar numa das maiores bibliotecas virtuais de medicina do mundo, a PubMed encontra mais de 17000 artigos sobre óleos essenciais, o que significa que há toda uma evidência científica por trás da aromaterapia.

Se quiser tirar proveito do maravilhoso mundo dos óleos essenciais no seu dia a dia, informe-se ou aconselhe-se com um aromaterapeuta.

Envolvida em aromas que curam,

Catarina Freitas