A natureza brindou-nos com as plantas, um imenso e complexo laboratório natural, onde podemos ir buscar elementos poderosissimos que contribuem para o nosso equilíbrio e bem estar, os óleos essenciais que estas produzem, são hoje alvo de alguma atenção pelas suas propriedades curativas.  A aromaterapia, um meio de tratamento que utiliza óleos essenciais, vai ganhando cada vez mais popularidade e a comunidade científica vai-se rendendo às evidências (já há muito experienciadas pelos nossos ancestrais), com o aperfeiçoamento das técnicas de investigação das ultimas décadas.

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Na realidade o emprego de produtos aromáticos  tem um longo historial. A India desde há 6000 anos que mantém a prática de aromaterapia na sua medicina Ayurvédica (que significa conhecimento da longevidade) até aos dias de hoje. O incenso para além de ser um anti-séptico usado em problemas respiratórios, sempre acompanhou as cerimónias religiosas, por induzir um estado de meditação e reflexão das pessoas. No Egipto, uma das mais antigas fórmulas aromáticas, conhecida por Kyphi correspondia a uma mistura de 16 elementos aromáticos (que continha canela, mirra, nardo, zimbro, incenso, entre outros) era muito usado em templos e habitações. Sabe-se que também eram utilizados óleos no processo de mumificação, quando o túmulo de Tutankamon foi aberto em 1922, verificou-se a presença de potes de nardo e mirra. O livro chinês de Medicina Interna do Imperador Amarelo (2697 a. C.) referencia óleos essenciais utilizados em massagens.  Hipócrates considerado o pai da medicina faz referência aos banhos aromáticos e massagens, outro Grego Teofrasto escreveu um tratado sobre os aromas. Roma converteu-se na capital do banho onde cada balneário tinha o seu unctuarium onde os banhistas se untavam com óleos vegetais aromatizados.

Os árabes deram um contributo importantíssimo à aromaterapia desenvolvendo a destilação, tendo-se propagado posteriormente o uso de óleos tanto a Oriente como a Ocidente. No século XIV Bagdade prosperava por ser o centro de perfumes em particular o de rosas, admitindo-se ter sido Avicena, um filósofo e médico, o primeiro a realizar a destilação clássica pelo vapor de água. São os cruzados medievais no século XII que trazem os “perfumes da Arábia” para a Europa tendo havido no final desse século um incremento no cultivo e produção de plantas aromáticas. Os séculos XVII e XVIII foram a época de ouro no emprego de óleos essenciais com ação anti-séptica devido às pestes pois era o único medicamento eficaz disponível, especialmente o vinagre dos 4 ladrões (mistura de absinto, alecrim, alfazema, alho, canela, cânfora, cravinho, hortelâ, noz moscada macerada em vinagre vermelho). No século XVIII, as grandes casa de campo de Europa tinham as suas próprias destilarias, usando os óleos essenciais para perfumes, produtos de higiene, medicamentos e aromatizantes de alimentos.

No século XX, aparece pela primeira vez o termo Aromaterapia no livro Aromathérapie- les  huiles essentielles, hormones végétales, escrito pelo químico Gatefossé em 1937. O seu interesse pelo uso terapêutico dos óleos surge quando este, após uma explosão no laboratório onde trabalhava, ter colocado instintivamente a mão num recipiente de liquido (óleos essencial de Lavandula officinalis) e verificado que a sua mão regenerou rapidamente e as cicatrizes foram mínimas. Gatefossé dedicou cerca de 50 anos ao estudo de óleos essenciais e escreveu inúmeros trabalhos. O Dr. Jean Valnet um cirurgião francês utilizou os óleos de limão, tomilho, camomila e cravo no tratamento de feridas e queimaduras de soldados na segunda guerra mundial. A bioquímica e enfermeira Marguerite Maury escreveu The Secret of Life and Youth. Regeneration through Essential Oils: a Modern Alchemy, em 1964 com grande sucesso e posteriormente em 1989 Marguerite Maury`s Guide in Aromatheray. Em 1977, o massagista americano Robert Tisserand escreveu os livros The Art of Aromatherapy (1977)  Aromatherapy for Everyone (1987) e Essentil Oil Safety (1995) com Tony Balacs. Outras obras de referência são o Traité de Phytotherapie Clininique, escrita pelos médicos Crhistian Durrafourd e Jean-Claude Lapraz, e os Les Cabiers Pratiques dÁromatherapie selon l`École Française de Dominique Baudoux.

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Actualmente duas Escolas se demarcam na aromaterapia: a Francesa e a Americana. A primeira baseia-se nos trabalhos de Gatefossé, de Valnet, de Jean-Claude Lapraz, de Dominique Boudoux e de seus seguidores mantendo o emprego de óleos por inalação, via externa (massagem) e interna. É uma escola apoiada pela Association Française d´ Aromathérapie. A Escola Americana fundamentada mais nas indicações de Marguerite Maury, de Robert Tisserand,e outros terapeutas posteriores, baseia-se na inalação e massagem com óleos essenciais diluídos. Cito algumas associações que certificam matérias a serem ensinadas aos aromaterapeutas, assim como referenciam escolas credenciadas. Duas importantes associações americanas The National Association for Holistic Aromatherapie (www.naha.org) e a Alliance of international Aromatherapists (www.alliance-aromatherapists.org) , uma Canadense Canadian Federation of Aromatherapists (www.cfacanada.com/). A nível internacional destaca-se a International Federation of Aromatherapists (www.ifaroma.org).

Referência bibliográfica: Proença da Cunha, A., Roque, O., R., Aromaterapia Fundamentos e Utilização, Ed. Fundação Caloust Gulbenkian (2013).

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Envolvida em aromas que curam,

Catarina Freitas